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sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Biografia da Eunice Ribeiro Durham


Eunice Ribeiro Durham possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1954) , mestrado em Ciência Social (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (1964) e doutorado em Ciência Social (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (1967). Professora Emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Professora-titular aposentada de Antropologia, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia Urbana. Atuando principalmente nos seguintes temas: migração rural e urbana, movimentos sociais urbanos e organização familiar das classe populares. Nos últimos 18 anos, vem se dedicando a pesquisas na área de Ensino Superior.

Foi Coordenadora do NUPES- Núcleo de Pesquisas sobre Ensino Superior da USP (além de co-fundadora do mesmo) - 1989-2005.Pesquisadora e membro do Conselho do NUPPS- Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP - 2005 até presente data. Ex-Membro do Conselho Nacional de Educação, Câmara de Ensino Superior - 1997 - 2001. Ex-Presidente da Fundação CAPES - 1990 - 1991. Ex-Secretária Nacional de Educação Superior do Ministério de Educação- 1992. Ex-Secretária Nacional de Política Educacional do Ministério de Educação - 1995 - 1997. Membro do Conselho Estadual de Educação (2008 - 2012). Autora de diversos artigos e livros de Antropologia e sobre Ensino Superior.

O pensamento e a obra de Eunice Ribeiro Durham, professora titular. atualmente aposentada, da Universidade de São Paulo, constituem referenciais obrigatórios no ensino e na pesquisa em antropologia no Brasil; principalmente na área de antropologia urbana. Da sala de aula ao campo, atuando, paralelamente, em instituições científicas e públicas como ABA, ANPOCS, CONDEPHAAT, CAPES, SBPC e Ministério da Educação, tanto desenvolveu trabalho investigativo acadêmico quanto atuou na área das políticas públicas educacionais para o ensino superior. Nesta entrevista, Eunice Durham fala, inicialmente, de sua adolescência, da escolha da carreira de antropologia, dos anos de formação e do período em que foi assistente voluntária na Universidade de São Paulo. Conta como, logo em sua primeira experiência de trabalho de campo, com meeiros convertidos ao Adventismo da Promessa, em Minas Gerais, os temas da família e do parentesco permearam a pesquisa. Estes temas tornaram-se centrais em suas investigações sobre imigração italiana, migrantes nacionais e periferias urbanas, bem como nos trabalhos de alguns de seus orientandos. Suas pesquisas privilegiaram populações em processo de adaptação a novas formas de inserção social e política, em uma sociedade urbanizada e industrializada. Alocada no departamento de Ciência Política no período imediatamente posterior à Reforma Universitária, Eunice Durham desenvolveu, durante as décadas de 1970 e 1980, junto com Ruth Cardoso, um programa de pesquisas com populações urbanas, dando ênfase aos movimentos sociais emergentes e às relações entre cultura e política. Utilizando a categoria “classes populares”, num momento em que as ciências sociais da USP estavam sob forte influência do marxismo, Eunice e Ruth orientaram pesquisas sobre temas, grupos e categorias sociais – como relações de vizinhança, lazer, sexualidade, religião, classes médias, entre outros - que dificilmente poderiam ser analisados a partir dos conceitos marxistas de alienação, luta de classes, burguesia e proletariado. Outro marco foi a crítica ao conceito de ideologia. 

A trajetória intelectual de Eunice Durham segue paralelamente a uma parte expressiva da história da antropologia no Brasil. De sua larga experiência teórica extraímos uma visão ampliada pelo diálogo constante entre antropologia, sociologia, ciência política, história e até com a biologia. Em seu senso de responsabilidade social, principalmente em relação à análise de nosso sistema educacional, buscamos inspiração como antropólogos e cidadãos. 

Principais Artigos

  • DURHAM, E. R. "A formação de professores iniciais do Ensino Fundamental e para a Educação Infantil"

Livros

  • A Dinâmica da Cultura;
  • A Reconstituição da Realidade;
  • O Ensino Superior em Transformação: Eunice Ribeiro Dunham e Helena Sampaio;
  • Avaliação do Ensino Superior: Eunice Ribeiro Dunham e Simon Schwartzman

sábado, 11 de novembro de 2017

Biografia de Adam Kuper


Adam Kuper é um antropólogo nascido em 1941, ligado à Escola de Antropologia Social. Em seus trabalhos, costuma analisar a cultura em seus usos e seus significados.

Nascido e criado na África do Sul, ele ingressou na Universidade de Witwatersrand em Johannesburg. Seu doutorado, na Universidade de Cambridge, foi baseado no campo de pesquisa no deserto Kalahari, que hoje é conhecido como Botswana. Depois da graduação, ele retornou à África, fazendo diversos trabalhos de campo em Botswana e Uganda e ensinando por três anos na Universidade Makerere, em Kampala. De 1970 a 1976, lecionou na Universidade College London. De 1976 a 1985, ele foi professor de antropologia africana na Universidade Leiden, na Holanda. De 1985 a 2008, foi professor na Universidade Brunel, onde era chefe do Departamento de Ciências Humanas e, mais tarde, chefe do Departamento de Antropologia.

Recebeu o prêmio de pesquisa "Leverhulme Major Research Grant" por dois anos (2003 e 2005), o qual o permitiu gastar mais de seu tempo com pesquisas.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Biografia de Edmund Leach


Edmund Ronald Leach nasceu em Lancashire, Inglaterra, em 7 de novembro de 1910 e faleceu em 6 de janeiro de 1989. Graduou-se em Matemática e Ciências Mecânicas no Clare College de Cambridge em 1932, com a distinção de First Class Degree. Após um período de quatro anos na China como funcionário de uma empresa de comércio, durante o qual viajou extensamente nas férias (incluindo uma visita aos Yami na ilha de Botel Tobago, seus “primitivos reais”), retornou à Inglaterra em 1937 e estudou Antropologia Social com Bronislaw Malinowski e com Raymond Firth. À uma pesquisa abortada no Curdistão devido à crise de Munique (1939), seguiu-se uma viagem à Birmânia (hoje Myanmar), em 1939, para um período de pesquisa de campo que se prolongou até o fim da Segunda Guerra. Durante este tempo, tornou-se membro do Exército da Birmânia, viajando e conhecendo a região ocupada pelos Kachin no Nordeste do país. Doutorou-se na London School of Economics em 1947, onde passou a lecionar até 1953, quando retornou a Cambridge como Lecturer.

Promovido a Reader, em 1972 foi nomeado para uma cátedra na universidade e, em 1966, tornou-se Provost do King’s College. Ascendendo em sua carreira, recebeu inúmeros prêmios prestigiosos na Inglaterra e nos Estados Unidos. Não se furtou a contribuir nas tarefas administrativas das instituições que prezava, inclusive ocupando altas posições acadêmicas e inserindo-se na vida pública: proferiu conferências na BBC (1967), escreveu inúmeros verbetes e incontáveis resenhas de livros, foi presidente da Association of Social Anthropologists (1966-70) e do Royal Anthropological Institute (1971-5), entre outras distinções e honrarias, culminando com sua elevação ao status de Cavaleiro, em 1975. Aposentou-se em 1979.

Sua produção acadêmica é vasta e diversificada, com pontos altos nas publicações dos livros Political Systems of Highland Burma (1954), baseado em sua pesquisa entre os Kachin – hoje um dos clássicos da antropologia e leitura obrigatória nos cursos de formação na disciplina; Pul Eliya, a Village in Ceylon (1961), onde confrontou as teorias de parentesco vigentes até então na antropologia feita na Inglaterra; e uma série de artigos influentes nas décadas de 1950 a 1980, marcada pela coletânea Rethinking Anthropology (1961) e pelos debates vigorosos com contemporâneos na revista Man. Journal of the Royal Anthropological Society. Um pequeno livro de 1970 apresenta sua perspectiva sobre da obra de Claude LéviStrauss e revela a influência deste autor em seus trabalhos.

A produção de Leach inclui contribuições em temas como parentesco e organização social, economia camponesa, posse de terra, casta e classe, semiótica, mito e ritual, classificação e liminaridade, comunicação simbólica, arte, tecnologia, textos bíblicos, mitos gregos.

Biografia de Gilberto Velho


Gilberto Cardoso Alves Velho (Rio de Janeiro, 15 de maio de 1945 - Rio de Janeiro, 14 de abril de 2012) foi um antropólogo brasileiro, pioneiro da Antropologia Urbana no país.

Graduado em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1968). Mestre em Antropologia Social também pela UFRJ (1970). Especializou-se em Antropologia Urbana e das Sociedades Complexas na Universidade do Texas, em Austin (1971). Doutor em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo (1975).

Atuou nas áreas de Antropologia Urbana, Antropologia das Sociedades Complexas e Teoria Antropológica. Além de vários cargos acadêmicos, como coordenador do PPGAS do Museu Nacional e chefe de Departamento de Antropologia, foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia - ABA (1982-84), presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais - ANPOCS (1994-96) e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (1991-93).

Foi membro do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (1983-93), tendo sido relator do primeiro tombamento de terreiro de candomblé realizado no Brasil - Casa Branca, em Salvador. Foi também membro do Conselho Federal de Cultura (1987-88).

Em 2000 tornou-se membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2000) e com a Comenda da Ordem de Rio Branco (1999). Foi colaborador e professor visitante em várias universidades brasileiras e estrangeiras.
Orientou cerca de 100 dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Até sua morte, era professor titular e decano do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da UFRJ.

Obras Publicadas

2002: "Mudança, Crise e Violência: política e cultura no Brasil contemporâneo" (Civilização Brasileira)[2]
1998: "Nobres & Anjos: um estudo de tóxicos e hierarquia" (Editora FGV)
1994: "Projeto e Metamorfose: antropologia das sociedades complexas" (Zahar)
1992: "Duas Conferências" / Co-autoria com Otávio Velho (Editora da UFRJ)
1986: "Subjetividade e Sociedade: uma experiência de geração" (Zahar)
1981: "Individualismo e Cultura: notas para uma antropologia da sociedade contemporânea" (Zahar)[
1973: "A Utopia Urbana: um estudo de antropologia social" (Zahar)

MEMORIAL Gilberto Velho.pdf

Biografia de Roberto DaMatta


Graduadado e licenciado em História pela Universidade Federal Fluminense (1959 e 1962). DaMatta possui curso de especialização em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1960); mestrado (Master in Arts) e doutorado (PhD) em 1969 e 1971 respectivamente pela Universidade Harvard. Foi Chefe do Dept. de Antropologia do Museu Nacional e Coordenador do seu Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (de 1972 a 1976). É Professor Emérito da Universidade de Notre Dame, USA, onde ocupou a Cátedra Rev. Edmund Joyce, c.s.c., de Antropologia de 1987 a 2004. Atualmente é professor associado da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e da Universidade Federal Fluminense.

Estudioso do Brasil, de seus dilemas e de suas contradições, mas também de seu potencial e de suas soluções, DaMatta não se afasta de seu país mesmo quando desenvolve outros temas. A comparação com o Brasil é inevitável em sua obra. DaMatta revela o Brasil, os brasileiros e sua cultura através de suas festas populares, manifestações religiosas, literatura e arte, desfiles carnavalescos e paradas militares, leis e regras (quando respeitadas e quando desobedecidas), costumes e esportes. Daí surge um Brasil complexo, que não se submete a uma fórmula ou esquema único. Para DaMatta, o Brasil é tão diversificado como diversificados são os rituais, conjunto de práticas consagradas pelo uso ou pelas normas, a que os brasileiros se entregam. Todos esses temas são abordados em sua relação com duas espécies de sujeito, o indivíduo e a pessoa, e situados em dois tipos de espaço social, a casa e a rua.

Biografia de Clifford Geertz


Clifford James Geertz (São Francisco, 23 de agosto de 1926 — Filadélfia, 30 de outubro de 2006) foi um antropólogo estadunidense, professor emérito da Universidade de Princeton, em Nova Jérsei, nos Estados Unidos. Seu trabalho no "Institute for Advanced Study" de Princeton se destacou pela análise da prática simbólica no fato antropológico. Foi considerado, por três décadas, o antropólogo mais influente nos Estados Unidos (Shweder and Good, 2005. p. 1).

1943-1945 - Participa da Segunda Guerra Mundial - Marinha dos Estados Unidos.
1950 - Completa os estudos no Antioch College em Ohio.
1951 - Pesquisa multidisciplinar na Indonésia. Geertz estuda religião. Hildred, sua esposa, estuda parentesco.
1956 - Ph.D. na Universidade de Harvard em Antropologia Social no Departamento de Relações Sociais.
1930-1980 - Regressa aos Estados Unidos. Mantém contato com Parsons na Universidade de Chicago.
1957-1958 - Realiza novas pesquisas na Indonésia.
1960-1970 - Professor na Universidade de Chicago.
1963-1971 - Pesquisas no Marrocos. Publica " Islam Observed" em 1968.
1970-2000 - Transfere-se para a Universidade de Princeton, Nova Jersey.
2006 - Morre em decorrência de complicações surgidas após cirurgia cardíaca.

Fonte: Wikipedia

domingo, 13 de agosto de 2017

Biografia e Contexto Etnográfico de Franz Boas


Naturalizado norte-americano em 1887, Franz Boas iniciou sua carreira científica como geógrafo, na Sociedade Berlinense para a Antropologia, Etnologia e Pré-História. Graças a seus contatos com Adolf Bastian e Rudolf Virchow, foi iniciado na antropologia.

Um vasto material etnográfico recolhido entre esquimós possibilitou a Boas escrever sua primeira obra de caráter antropológico: Os esquimós centrais, publicada, em 1888, no Sexto relatório anual do Departamento Norte-Americano de Etnologia e reeditada em 1964, sob forma de livro, pela Editora da Universidade de Nebraska.

Em 1886 iniciou pesquisas entre os Kwakiutl e outros grupos tribais da Colúmbia Britânica, na costa norte do Pacífico. No ano seguinte fixou residência nos EUA, tornando-se editor do periódico Ciência (Science) e instrutor da Clark University desde 1888.

Em 1896 transferiu-se para a Universidade de Colúmbia e, três anos depois, alcançou o posto de professor. Ali estruturou um dos primeiros departamentos de antropologia dos EUA, iniciando antropólogos e linguistas importantes, como A. L. Kroeber, que posteriormente fundou, em 1903, um departamento na Universidade da Califórnia, e F. G. Speck, que fez o mesmo, em 1909, na Universidade da Pensilvânia.

Boas foi um dos fundadores, em 1888, da Sociedade Norte-Americana do Folclore e de sua Revista do Folclore Norte-Americano, da qual foi editor de 1908 a 1925.

Em 1898 desempenhou papel relevante na modernização da publicação O Antropólogo Norte-Americano e na fundação, em 1902, da Associação Antropológica Norte-Americana. Em 1931 presidiu a Associação Norte-Americana para o Progresso da Ciência.

Autonomia do fenômeno cultural

Na época de Boas, a antropologia era marcada pela ideia de que raça e cultura, e raça e linguagem, constituíam fenômenos interdependentes. A cultura era conceituada como resultado do pensamento racional do homem, manifesto em diferentes graus, dentro de uma escala evolucionista. Encarava-se a história cultural como processo unilinear e universal, cujas expressões peculiares a cada sociedade, em dado momento, refletiam o seu estado de desenvolvimento.

Boas criticou não o princípio da evolução do desenvolvimento histórico, que considerava válido, mas a ortogênese (modificação individual, proveniente de causa interna, que sofre um organismo vivo, sem que entre em jogo a adaptação) que dominava o pensamento científico da época.

Franz Boas mostrou que as culturas humanas não percorrem o continuum simples-complexo, pretendido pelas teorias ortogenéticas, mas que existem diferentes desenvolvimentos históricos, resultantes de diferentes processos em que intervieram inúmeros fatores e acontecimentos, culturais e não culturais.

A obra de Boas, ao estabelecer a autonomia relativa do fenômeno cultural, desvinculou-se do rígido determinismo em face do meio ambiente e das características biológicas dos componentes das diversas sociedades. Adicionando contribuição tão valiosa à causa do antirracismo, escreveu trabalhos sobre raça e sobre a situação do negro nos EUA, além de estimular pesquisas semelhantes em várias partes do mundo.

Linguística e etnologia

No campo da linguística, preocupou-se de início com a compreensão do desenvolvimento histórico das línguas e do papel por elas desempenhado na cultura e no pensamento humano.

Ao dedicar-se ao estudo das línguas ágrafas dos grupos tribais norte-americanos, rompeu com a herança histórica dos neogramáticos, utilizando uma abordagem empiricista que consistia em descrever e analisar cada língua em seus próprios termos, a partir do conceito de "forma íntima", adotado de Heymann Steinthal.

Sua preocupação em comparar a forma íntima de línguas diferentes conduziu-o aos relacionamentos linguagem-pensamento e linguagem-cultura, através dos quais tentou entender como ocorria, em diferentes sociedades, a relação entre a realidade concreta e a idealização do mundo internalizada por seus componentes.

Encarando o fenômeno linguístico como parte do fenômeno etnológico, Boas descobriu que entre as línguas indígenas americanas haviam ocorrido empréstimos léxicos, fonéticos e morfológicos, e que, portanto, as línguas se podem desenvolver tanto por convergência de diversas fontes, como por divergência, a partir de uma origem comum.

Como professor, a influência de Boas foi clara sobre muitos antropólogos e linguistas famosos, como Edward Sapir, Ruth Benedict, Margaret Mead e outros.

Franz Boas acrescentou novas dimensões à compreensão do relacionamento homem-meio-cultura-sociedade, encaminhando a integração pretendida pela moderna antropologia.

Biografia e Contexto Etnográfico de Radcliffe-Brown


Alfred Reginald Brown nasceu em Sparkbrook, Birmingham, em 17 de Janeiro de 1881. Quando tinha cinco anos, faleceu-lhe o pai, deixando sua mãe na penúria. Ela trabalhava como “dama de companhia”, ficando as crianças aos cuidados da avó. “Rex” era aluno bolsista na King Edward’s School(Escola Rei Edward), em Birmingham, mas, antes dos 18 anos trocou a escola por um emprego na biblioteca daquela cidade. Seu irmão mais velho, Herbert, encorajou-o a prosseguir nos estudos e sustentou-o enquanto cumpria um ano de ciências pré-médicas na Universidade de Birmingham. Ganhou depois uma bolsa de estudos do Trinity College (Colégio Trindade), Cambridge, e em 1902 começou a preparar-se para os exames finais em Ciências Morais. Seu irmão, agora estabelecido na África do Sul, continuou a prestar-lhe auxílio financeiro, em parte decorrente de uma indenização por ferimentos recebidos na Guerra Anglo-Bôer.
         
O desejo de Brown era fazer os exames de Ciências Naturais em Cambridge, mas o seu diretor de estudos insistiu em que era preferível apresentar-se em Ciências mentais e Morais. Entre os seus professores estavam Myers e Rivers, ambos psicólogos médicos e veteranos da expedição aos Estreitos de Torres, o empreendimento pioneiro de Cambridge na área da pesquisa antropológica de campo. O curso abrangia Psicologia e Filosofia, incluindo a Filosofia da Ciência, que era lecionada em parte por Alfred North Whitehead. Em 1904, tornou-se o primeiro aluno de Rivers em Antropologia.
       
Guiado por Rivers e Haddon, Brown realizou um estudo das Ilhas Andaman em 1906-8. O seu relatório granjeou-lhe um fellowship( sociedade )no Trindade, que ele manteve de 1908 a 1914, embora durante esse período também desempenhasse funções docentes, por pouco tempo, na Escola de Economia de Londres. A sua monografia inicial sobre Andaman concentrou-se em problemas etnológicos e refletia as propensões difusionistas de Rivers. Entretanto, não tardou em converter-se à concepção durkheimiana da Sociologia.
       
Um ensaio preliminar de Durkheim, que pronunciava o argumento de As Formas Elementares da Vida Religiosa, causou um impacto considerável na Inglaterra desse tempo. Em 1919-10, Brown proferiu uma série de conferências na Escola de Economia de Londres e em Cambridge, nas quais expôs o ponto de vista essencialmente durkheimiano que iria manter pelo resto da vida.
       
Em 1906-1908 Radcliffe-Brown realizou seu primeiro trabalho de campo nas Ilhas Andaman, no Oceano Índico, a pesquisa que levou em 1922 à publicação de seu clássico monografia The Islanders Andaman (Os Ilhéus de Andaman). Sua pesquisa de campo teve outro grande levantamento das diferenças de parentesco entre os sistemas de grupos aborígenes da Austrália Ocidental, realizado em 1910-1912. O restante de sua vida profissional foi retomada com o ensino e a escrever trabalhos teóricos. Ao longo de três décadas, Radcliffe-Brown também lecionou na Universidade de Capetown, na África do Sul, na Universidade de Sydney, na Austrália, na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, e na Universidade de Oxford, onde foi nomeado para a primeira cátedra de Antropologia em 1937.
       
A força da personalidade e intelecto de Radcliffe-Brown moldaram o curso de Antropologia britânica em toda a década de 1940. Considerando a influência de Bronislaw Malinowski, outros importantes antropólogos britânicos da época estabeleceram um alto padrão de trabalho de campo e coleta de dados, no entanto, a influência de Radcliffe-Brown foi mais teórica. Malinowski havia argumentado que as instituições culturais tinham de ser entendidas em relação às necessidades humanas básicas psicológicas e biológicas. Radcliffe-Brown, entretanto, sublinhou o "estrutural-funcionalismo" para a análise social que via sistemas sociais como mecanismos integrados, nos quais todas as partes funcionam para promover a harmonia do todo.
       
Como Durkheim, Radcliffe-Brown achava que as instituições sociais devem ser estudadas como qualquer objeto científico. O trabalho do antropólogo social foi descrever a anatomia de instituições sociais interdependentes - o que chamou de estrutura social - e para definir o funcionamento de todas as partes em relação ao todo. O objetivo dessa análise é a conta para o que mantém o funcionamento da sociedade em conjunto.
        
Sua pesquisa inicial na Austrália Ocidental, nas sociedades indígenas, por exemplo, levou para a primeira conta sofisticada de complicados sistemas de parentesco aborígenes como um conjunto de variações sobre alguns temas estruturais. Ele foi capaz de identificar um conjunto de relações entre terminologias de parentesco e as regras do casamento que faziam sentido pela primeira vez da "estrutura" da sociedade indígena. Estes estudos ainda são a pedra angular da antropologia social dos aborígenes australianos.
         
A lista de publicações de Radcliffe-Brown não é especialmente longa. No entanto, em uma série de jornais argumentaram poderosamente que ele foi capaz de transformar a face da antropologia no seu tempo. Ao longo de sua carreira Radcliffe-Brown insistiu em que o próprio objetivo da antropologia era a comparação cuidadosa das sociedades e a formulação de leis gerais sociais. Quando ele entrou em antropologia, culturas exóticas foram geralmente estudadas como coleções de costumes separáveis, e antropologia cultural era a história de como tais costumes eram “difusas" entre as culturas por meio de empréstimos ou de conquista. Esta abordagem elegante e, muitas vezes abstrata para a análise social teve seus críticos e seus defensores. Mas a análise de Radcliffe-Brown de padrões sociais deixou uma marca importante em toda Antropologia Social moderna.

Referências

Kuper, Adam. Antropólogos e Antropologia; tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro , F. Alves, 1978.
http://www.answers.com

Biografia e Contexto Etnográfico de Bronislaw Malinowski

 

Bronislaw Kaspar Malinowski, nasceu em Cracóvia, Polônia, a 7 de abril de 1884. Seu pai, um professor de filologia eslava na Universidade Jagellonian e um linguista e folclorista de alguma reputação, era descendente da nobreza polonesa. Sua mãe era de uma família proprietária de terras cultivadas. Ele era frágil, muitas vezes doentio em sua infância, e, assim, em vários intervalos durante sua vida escolar e, mais tarde, na universidade, ele foi forçado a abrandar e ter tempo livre para o bem de sua saúde. Em um desses tempos livres começou a se interessar por Antropologia após a leitura do livro O Ramo Dourado, de James Frazer. Entretanto, apesar dos contratempos criados por sua saúde, ele conseguiu obter seu doutorado em Filosofia, Física e Matemática em 1908, graduando-se Sub Auspiciis Imperatoris, a mais alta honraria do Império Austro-Húngaro.
         
No ano de 1913 escreveu seu primeiro livro: A Família Entre os Aborígenes Australianos. De 1914 a 1918 realizou um importante trabalho de campo na Nova Guiné e Austrália. Ajudado por seu amigo Seligman, conseguiu fundos para a sua primeira expedição etnográfica, em 1914 quando residiu alguns meses com os Mailu, habitantes da Ilha de Tulon, no Oceano Pacífico. Fez mais duas expedições, convivendo durante dois anos com os habitantes das ilhas Trobriand, arquipélago situado a nordeste da Nova Guiné. Esse estudo dos Trobriand proporcionou a Malinowski a base de seu prestígio subsequente, e o teor pioneiro dessa investigação é destacado pela comparação com o anterior estudo Mailu. Na realidade ele inventou os métodos da moderna pesquisa de campo nas Ilhas Trobriand. Durante esse tempo Malinowski aprendeu a língua dos nativos, participou de suas cerimônias e de seu dia-a-dia. Malinowski vigorosamente enfatizou a importância de mergulhar profundamente na língua nativa. Mas talvez mais do que qualquer outro pesquisador diante dele, Malinowski adotou o valor de estudar a vida cotidiana em todos os seus aspectos mundanos. Assim, para ele, não foi suficiente simplesmente registrar o que os membros tribais diziam sobre suas crenças religiosas, práticas sexuais, costumes matrimoniais, ou as relações comerciais, mas, o que eles realmente faziam.
      
Mas, apesar de todas as contribuições e sua considerável influência científica e ramificações, Malinowski é principalmente reconhecido como o pai dessa escola da antropologia chamada Funcionalismo, que se baseia na ideia de que todas as partes da sociedade trabalham em conjunto, um conjunto integrado. Este pensamento pode ser prontamente contrastado com o estruturalismo de Durkheim e o estrutural-funcionalismo de Radcliffe Brown- cada um dos quais dá mais ênfase à sociedade como um todo, e as formas que as instituições servem para mantê-la. Malinowski, entretanto, coloca uma maior ênfase nas ações do indivíduo: como as necessidades do indivíduo eram servidas por instituições da sociedade, as práticas costumeiras e crenças, e como a psicologia desses indivíduos pode levá-los para gerar mudanças.
       
Em 1920 e em 1922, ele deu aulas na London School of Economics (Escola Econômica de Londres) durante o período letivo de verão, e em 1923 foi reconhecido como professor de Antropologia Social pela Universidade de Londres. Em 1924, assumiu o cargo de Reitor na L.S.E. Em 1927, Malinowski foi nomeado para a primeira cátedra de Antropologia da Universidade de Londres (Seligman tinha uma cátedra de Etnologia). Permaneceu na L.S.E. até 1938, quando foi aos Estados Unidos em gozo de uma licença-prêmio, para aí ser retido pela eclosão da II Guerra Mundial. Lecionou em Yale e realizou algumas pesquisas de campo, durante as férias, nos mercados camponeses do México. Morreu em New Haven, Connecticut, em Maio de 1942, aos 58 anos de idade.
           
As sete monografias de Malinowski sobre as Ilhas Trobriand foram publicadas entre 1922 e 1935. Constituem a maioria esmagadora de suas publicações durante os anos passados em Londres como professor, e o material trobriandês também forneceu o núcleo de suas conferências e cursos. Foi nessa época que ele formou o seu séquito de adeptos e seguidores, apresentando aos estudantes o fascinante Homem de Trobriand, impondo a crença em seu próprio papel de profeta de uma nova Ciência, e enviando-os pelo mundo inteiro para que realizassem estudos de campo de sua própria lavra.

Referências

Kuper, Adam. Antropólogos e Antropologia; tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro , F. Alves, 1978.
Oliveira, Pérsio Santos de. Introdução a Sociologia - Editora Ática.

Paulo Granjo


Doutorado em Antropologia Social (ISCTE, 2001), realiza pesquisas em Portugal e Moçambique que, abrangendo terrenos tão diversos como a indústria, as práticas curativas e mágicas, os processos de aprendizagem ou o direito familiar, possuem um fio condutor comum: compreender as concepções e respostas sociais à incerteza, ao perigo e à tecnologia, em contextos de mudança cultural e social. Em combinação com a sua actividade de investigador, é Professor Visitante na Universidade Eduardo Mondlane, Maputo (licenciatura em Antropologia), desenvolvendo também trabalho docente no Instituto de Ciências Sociais (mestrado em Antropologia Social e Cultural) e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (licenciatura em Artes do Espectáculo). É autor de diversos livros e artigos, recenseados no item de "publicações" da presente página. É membro do Centro de Estudos de Antropologia Social (ISCTE), do Centro de Estudos Africanos (ISCTE), da Associação Portuguesa da Antropologia e da European Association of Social Anthropologists. É membro honorário da Associação de Médicos Tradicionais de Moçambique. Foi coordenador científico do CASO-Centro de Análise Social (1994/2001), professor auxiliar da Universidade Lusófona (2000/2003) e investigador associado do ICS-UL (2002/2004).

O trabalho e perigo na fundição de alumínio Mozal, as tensões de género e poder em torno da nova Lei da Família, as concepções e práticas ‘tradicionais’ de adivinhação e cura, a memória de acontecimentos traumáticos e a violência pública. Publicou diversos artigos e os livros “Lobolo em Maputo” e “Um Amor colonial”. Prepara a publicação dos livros “Família e Lei em Moçambique”, “Os Antepassados e Nós – incerteza no Moçambique actual” e “Mozal: Labour in a Border Culture”. Recebeu em 2007 o Prémio Sedas Nunes Para as Ciências Sociais. É membro honorário da Associação dos Médicos tradicionais de Moçambique.

Artigos do autor

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Biografia de Erving Goffman


Biografia de Erving Goffman

Erving Gojjman (1922-1982) foi um sociólogo, antropólogo e escritor canadense, considerado o pai da microssociologia. Sua obra tem influenciado e contribuído para estudos na área da sociologia, da antropologia, como também no campo da psicologia social, psicanálise, comunicação social, linguística, literatura, educação, ciências da saúde etc.

Erving Goffman (1922-1982) nasceu em Mannville, Canadá, no dia 11 de junho de 1922. Filho de judeus que migraram para fugir do exército russo. Foi criado em Dauphin, Manitoba, uma pequena vila habitada em sua maioria por ucranianos. Obteve o grau de bacharel pela Universidade de Toronto, em 1945. Concluiu o mestrado em 1949 e o doutorado em 1953, na Universidade de Chicago, onde estudou Sociologia e Antropologia.

Em 1958 passou a lecionar na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Em 1959, publicou seu estudo de maior destaque “A Representação do Eu na Vida Cotidiana”. Na obra, desenvolveu a ideia de que o mundo é um teatro e cada um de nós, individualmente ou em grupo, teatraliza ou é um ator consonante com as circunstâncias que se encontra, marcadas por rituais e posições distintivas relativamente a outros indivíduos ou grupos.

Em 1962 foi promovido a professor titular. Em 1968 ingressou na Universidade da Pensilvânia, onde passou a lecionar Sociologia e Antropologia. Em 1977 Erving Goffman recebeu o Prêmio Gugenheim. Entre os anos de 1981 e 1982 presidiu a Sociedade Americana de Sociologia. Realizou pesquisas na área de sociologia interpretativa e cultural, iniciada por Max Weber.
Entre outras obras importantes, Erving Goffman escreveu, “Manicômios, Prisões e Conventos” (1961), resultado de uma pesquisa de três anos sobre os comportamentos nas enfermarias dos Institutos Nacionais do Centro Clínico de Saúde e do trabalho de campo no Elizabeths Hospital, em Washington, nos Estados Unidos, entre os anos de 1955 e 1956, uma instituição federal com pouco mais de 7000 internos, e “Estigma: Nota Sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada” (1963) entre outras.

A maneira de fazer pesquisas, empregada por Erving Goffman teve suas raízes na prática defendida pelos precursores da Escola de Chicago, principalmente Robert Park, baseada na imersão da realidade social a fim de elaborar suas próprias análises. Para Goffman os alunos deveriam abandonar a biblioteca e ir a campo, centralizando seus interesses em fontes primárias.
Erving Goffman faleceu na Filadélfia, Pensilvânia, nos Estados Unidos, no dia 19 de novembro de 1982.

Biografia de Émile Durkheim


Biografia de Émile Durkheim

Émile Durkheim (1858-1917) foi um sociólogo francês. É considerado o pai da Sociologia Moderna e chefe da chamada Escola Sociológica Francesa. É o criador da teoria da coesão social. Junto com Karl Marx e Max Weber, formam um dos pilares dos estudos sociológicos.
Émile Durkheim (1858-1917) nasceu em Epinal, região de Lorena, na França, no dia 15 de abril de 1858. Descendente de família judia, filho e neto de rabinos, foi preparado para seguir o mesmo caminho, mas rejeitou sua herança judaica. Estudou no Colégio d’Epinal e no Liceu, em Paris. Estudou filosofia na Escola Normal Superior de Paris.

O fato de Durkheim não ter seguido os preceitos da cultura judaica pode ter influenciado no teor de seus estudos e de suas preocupações religiosas, preferindo analisá-las desde o ponto de vista social. Estudou as teorias de Auguste Comte e Herbert Spencer, o que fez com que conferisse uma matriz científica às suas teorias.
Em 1897 fundou a revista L’Année Sociologique na qual reuniu um eminente grupo de estudiosos. Formou grande número de discípulos que por sua vez forneceram contribuições à pesquisa sociológica. A teoria dos fatos sociais de Durkheim influiu decisivamente sobre o desenvolvimento da Sociologia Científica do século XX.

Émile Durkheim foi nomeado professor de Ciências Sociais em curso criado especialmente para ele, e de Pedagogia, na Universidade de Bordeaux. Em 1902, foi nomeado para a primeira cadeira de Sociologia na França, e para a cadeira de Pedagogia, ambas na Sorbonne. Émile Durkheim foi considerado um dos fundadores da Sociologia Moderna e chefe da chamada Escola Sociológica Francesa, rival da Escola da Ciência Social de Frédéric Le Play.

Durkheim escreveu obras que foram definitivas nos rumos dos estudos sociológicos. No livro "Da Divisão do Trabalho Social" (1893), ele estabeleceu as bases da sociedade comparando a um organismo vivo, onde cada parte funcionava como um órgão biológico que agiria de forma dependente. Assim, numa sociedade "doente", que ele denominava de anomia, a cura para o melhor funcionamento social seria a solidariedade orgânica.

No livro "As Regras do Método Sociológico" publicado em 1895, estabeleceu as bases para a sociologia como ciência. Em sua obra "O Suicídio" (1897), avaliou que o maior nível de integração social estava ligado aos índices de suicídio, que seriam maiores quanto mais frágeis fossem os laços sociais. Também pesquisou assuntos sobre religião, através do livro "Formas Elementares da Vida Religiosa", publicado em 1912.
Émile Durkheim morreu no dia 15 de novembro de 1917. Seus restos mortais encontram-se no cemitério de Montparnasse, em Paris.

Obras de Émile Durkheim

Da Divisão do Trabalho Social, 1893
As Regras do Método Sociológico, 1895
O Suicídio, 1897
As Formas Elementares da Vida Religiosa, 1912
A Educação e a Sociologia, 1922 (obra póstuma)
Sociologia e Filosofia, 1924 (obra póstuma)
A Educação Moral, 1925 (obra póstuma)

Biografia de Marcel Mauss


Biografia de Marcel Mauss

Marcel Mauss (1872-1950) foi um sociólogo e antropólogo francês. Considerado o pai da Antropologia Francesa deixou importantes artigos para a Sociologia e a Antropologia Social Contemporânea.

Marcel Mauss (1872-1950) nasceu em Épinal, França, no dia 10 de maio de 1872. Formou-se em Filosofia e especializou-se em História das Religiões. Sobrinho do sociólogo Émile Durkheim, estudou com o tio e foi seu assistente. Participou da formação do que seria mais tarde conhecido como a Escola Sociológica Francesa, da qual Émile Durkheim foi o criador.

Marcel Mauss publicou a maioria de seus artigos na revista Année Sociologique, entre eles, “Essai Sur la Nature et la Fonction du Sacrifice” (1903), (col. de Henri Hubert), “De Quelques Formes Primitives de Classification” (1903) (col. de E. Durkheim), Esquisse d'une Téorie generale de la Magie (1904) e “Essai Sur le Don, Forme Archaique de l’Échange” (1924).
De 1900 a 1902 foi professor suplente na Ecole des Hautes Etudes, em Paris, lecionando história das religiões indianas. De 1901 a 1907 foi professor de História das Religiões dos Povos Primitivos na mesma instituição. Foi diretor da revista L’Année Sociologique, entre 1923 e 1925, quando sucedeu Émile Durkheim.

Colaborou com a fundação do Instituto de Etnologia da Universidade de Paris, em 1925, tornando-se secretário-geral e professor, onde formou os primeiros etnógrafos da antropologia francesa. Entre os importantes alunos do Instituto destacam-se: Marcel Griaule, Roger Bastide, Claude Lévi-Strauss, Michel Leiris e Louis Dumont.
Em 1930, foi eleito para a cadeira de Sociologia do Collège de France, onde permaneceu até 1939. Entre outro trabalhos de sua autoria destacam-se: “Manual de Etnografia” (1947) e “Sociologia e Antropologia” (1950).
Marcel Mauss faleceu em Paris, França, no dia 10 de fevereiro de 1950.