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domingo, 13 de agosto de 2017

Breves Considerações sobre O Anti-Édipo


Livro escrito pelo filósofo Gilles Deleuze e pelo médico psiquiatra e psicanalista Felix Guattari. Prefácio de Michell Foucault.

A obra foi escrita em um período emblemático para a França, Maio de 1968. Talvez por este motivo a obra esteja repleta de reflexões que possibilitam uma nova perspectiva para o pensamento moderno. Neste prefácio encontramos um texto revolucionário que propoe o rompimento com as correntes de pensamentos comprometidos com teorias ideológicas ou que condicionam o homem a uma determinação conceitual.

“Durante os anos de 1945-1960 (falo da Europa), havia uma certa maneira correta de pensar, um certo estilo do discurso político, uma certa ética intelectual. Era preciso estar com Marx, não deixar seus sonhos vagabundearem  muito longe de Freud”.

No prefácio da obra é possível encontrar indícios daquele que se tornaria um pensamento de combate à determinação conceitual e ao combate do fascismo militante e do fascismo que segundo o autor, está presente em todos nós.

“Libere a ação política de toda forma de paranóia unitária e totalizante”.

O texto é revolucionário e libertador, pois sugere um novo caminho à ciência. Sugere ao leitor compreender e libertar a potência revolucionária, não  necessariamente descartando as antigas formas de observar as relações humanas, mas sugerindo que se busque compreender como as coisas acontecem e não somente com seu porque.

Não exija da ação política que ela restabeleça os “direitos” do indivíduo, tal como a filosofia os definiu. O indivíduo é o produto do poder. O que é preciso é “desindividualizar” pela multiplicação, o deslocamento e os diversos agenciamentos. O grupo não deve ser o laço orgânico que une os indivíduos hierarquizados, mas um constante gerador de “desindividualização”.

O texto também possui um caráter ético ao propor que não utilizemos o pensamento para dar a prática política um ar de verdade, e sim a prática política como um intensificador do pensamento.

“Não utilize o pensamento para dar a uma prática política um valor de verdade; nem a ação política, para desacreditar um pensamento, como se ele fosse apenas pura especulação. Utilize a prática política como um intensificador do pensamento, e a análise como um multiplicador das formas e dos domínios de intervenção da ação política”.

Portanto a ideia central da obra está na liberdade do homem e trata-se de um combate ao fascismo apresentado em todas as as suas formas.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O Visual do Corpo em Antropologia


A Antropologia, e antes dela, a Etnografia, sempre foi fascinada pelos aspectos visuais dos Outros: corpos dos outros ou outros corpos ? Até 1950, o corpo era considerado como o melhor “instrumento” para compreender as diferentes culturas, as diferenças étnicas que sobre ele se espalhavam. A partir desse momento epistemológico, dessa visão do corpo como “chave” para entender o Outro, as novas teorias raciais aparecem nas Ciências Humanas, assim como nascem duas novas disciplinas: a antropologia física e a antropometria. Infelizmente, de uma certa maneira, a emergência de uma dita antropologia visual é indissociável à historia do estatuto do corpo em antropologia, e o corpo é um “objeto” tradicional de pesquisa em antropologia visual. Portanto, após das teorias racistas aplicadas ao “corpo primitivo” pela antropologia física, a desconfiança e o desprezo acadêmico a respeito das imagens (fotográficas ou videográficas) nunca parou de existir. 


O Corpo na Teoria Antropológica


Miguel Vale de Almeida

Para o antropólogo Michael Jackson (1989) a subjectividade está localizada no corpo, contrariando assim a ideia de cultura como algo de superorgânico. Usando um conjunto de ideias fenomenológicas e terapêuticas, segundo comenta A. Strathern (1995), que em princípio são gerais e trans-culturais, Jackson vai contra a posição simbolista, afirmando que o corpo não se limita a reflectir a sociedade. Ele não é apenas inscrito, como nas teorias de Durkheim e Mary Douglas; constitui-se a si mesmo como body subject. O próprio conhecimento derivaria da empatia e do envolvimento prático e sensual – e não de princípios gerais. O uso mimético do corpo seria a base para alcançar o sentimento de viver em comum com os outros. 



Antropologia do Corpo


A partir da visão de que o corpo é uma construção sócio cultural e tem implicações diretas na...... Palavras-Chave: Antropologia do corpo; Diversidade; Xamãs.


O CORPO: UMA VISÃO DA ANTROPOLOGIA E DA CULTURA


domingo, 5 de março de 2017

Rogério Azize - Doença e Saúde: a antropologia pode contribuir?


"Doença e saúde: a antropologia pode contribuir?", por Rogério Lopes Azize 

Médicos não são os únicos interessados em refletir sobre doenças e processos de cura. Antropólogos preocupados em estudar a dimensão social das doenças, sofrimentos ou perturbações têm realizado pesquisas que demonstram as conexões entre os eventos de doença/saúde e a cultura na qual tais eventos estão sendo vivenciados. A Comunidade Virtual de Antropologia tem recebido algumas perguntas de estudantes de várias áreas e curiosos em geral a respeito dessa sub-área de pesquisa dentro da Antropologia; este pequeno texto tem somente a pretensão de responder a alguns destes questionamentos e suscitar novas curiosidades, em caráter introdutório.

Grande parte dos estudos em Antropologia da saúde/doença tem como objetivo de fundo demonstrar a existência de outras racionalidades médicas, ou falar sobre o choque entre os sistemas locais e os valores da biomedicina ocidental. Duarte (1998) usa o termo “medicina cientifizante ocidental moderna” para designar a lógica do sistema biomédico; tal sistema e sua interpretação fisicalista das doenças tem pretensões universalizantes, de forma que os males são entendidos como um evento de uma suposta ‘natureza humana’, sem qualquer conexão com características das culturas humanas. A contribuição da antropologia visa buscar compreender os aspectos simbólicos que perfazem não somente os sistemas médicos nativos, mas também as crenças da biomedicina ocidental, problematizando o status universalizante desta última.

Trabalhando em países geograficamente distantes ou relativamente perto de casa, pesquisadores têm se dedicado ao esforço de refletir sobre doenças que apresentam, claramente, limites culturais, como o “mal do coração”, no Irã, o “susto”, em vários países da América Central e do Sul, ou ainda a “doença de nervos”, entre segmentos das classes trabalhadoras no Brasil. Por vezes, essas pesquisas comparam os saberes da biomedicina ocidental com os saberes ‘tribais’ de outros povos; mas é possível construir também modelos comparativos entre diferentes representações veiculadas em nossa própria sociedade, que opõem a visão de mundo das ‘classes médias e altas’ à das ‘classes populares’, ou os saberes ‘científicos’ aos saberes ‘leigos’ (Duarte, op. cit.). Isso significa que, para quem estiver interessado em realizar uma pesquisa na área de saúde, há uma imensa riqueza de temas possíveis, sem falar nas abordagens metodológicas e nos recortes disciplinares disponíveis, que também são vários.

Um pouco mais raros, mas já conformando uma área de pesquisa com produção bastante fértil no Brasil, são os estudos que colocam em perspectiva as práticas da biomedicina ocidental, ou seja, têm como objeto de pesquisa o conjunto de saberes, práticas e técnicas sobre saúde/doença, hegemônicas dentro da cultura ocidental contemporânea, cujos agentes principais são os médicos e profissionais da medicina, incluindo os laboratórios farmacêuticos. Trata-se de um itinerário bastante comum na Antropologia: buscamos primeiro a diferença radical, para depois nos aproximarmos da nossa própria cultura, utilizando o outro como um espelho que nos ajuda no processo de relativização. Contemporaneamente, pesquisas de cientistas sociais estão falando sobre a dimensão social de temas que variam dos anticoncepcionais a transplantes, passando pela concepção de doença, saúde, cura e medicamento.

Minha própria pesquisa, realizada no âmbito de um curso de mestrado em Antropologia Social, versou sobre o uso de medicamentos em classes médias urbanas no Brasil. Discuti, naquele momento, as representações em torno de doenças como a depressão, a disfunção erétil e a obesidade, e também em torno dos remédios utilizados para combater tais sintomas, que já foram chamados pelos meios de comunicação de massa pelo termo “drogas do estilo de vida”, como o Prozac®, o Viagra® ou o Xenical®. A forma como os laboratórios farmacêuticos falam destas doenças são um bom exemplo do caráter universalista que o enfoque biomédico quer ter. São doenças caracterizadas como mundiais, epidêmicas, existindo em todas as culturas e países e já definidas há muito tempo. Mas será que tais doenças são encaradas em todos os países da mesma forma? Sendo ainda mais radical: será que elas existem em todos os países, sendo males socialmente aceitos e reconhecidos?

Não cabe responder a tal pergunta neste espaço. Como já havia dito, tenho somente o objetivo de gerar uma reflexão a respeito das interações entre cultura e saúde/doença. Mas podemos fazer uma pequena reflexão sobre a forma como a “saúde”, agora utilizada como categoria a ser analisada, é pensada em nossa cultura.

Em minha dissertação, faço uma reflexão sobre o rendimento que a expressão “qualidade de vida” possa ter para pensarmos as idéias de saúde e doença entre as classes médias e altas. Na certa, você já ouviu esta expressão, até porque ela parece estar em todos os lugares. Nas fronteiras de uma cultura de classe média, percebe-se uma noção de saúde que já não mais ocupa o posto de contrário à idéia de doença; e uma noção de qualidade de vida que se tornou uma espécie de chave-mágica da sociedade contemporânea, uma palavra-chave que pode justificar mudanças no cotidiano, consumo, novos hábitos e mudanças marcantes no estilo de vida. Se uma ação qualquer vai trazer ao seu agente mais “qualidade de vida”, então esta ação é socialmente justificável; apesar da categoria apresentar um significado nebuloso, seu reconhecimento é imediato na cultura de classe média urbana e o seu uso é bastante freqüente. Na publicidade de medicamentos, na fala de usuários, mas também nos argumentos de venda de inúmeros outros produtos, de empreendimentos imobiliários a um novo sistema de dedetização, o apelo à idéia de “qualidade de vida” solta aos olhos e é repetida com freqüência (Azize, 2002).

Tal discurso não parece estar necessariamente preocupado com a questão da “doença”. As fronteiras entre estados normais e patológicos parecem estar sendo rearrumadas, visto que a intervenção medicamentosa em estados de saúde mostra-se cada vez mais comum. Saúde, não mais um mero oposto a um estado de “doença”, é hoje um termo inflacionado, especialmente, ao que parece, entre as classes médias urbanas com acesso privilegiado aos serviços que poderíamos encaixar num grande bloco como sendo “de saúde”, envolvendo medicamentos, terapias alternativas, programas de exercícios físicos e tantas outras práticas. Sobre a medicação que toma conta do nosso cotidiano, “sua aposta deixa de ser a saúde, que não está forçosamente ameaçada, está em um exagero com relação à saúde, isto é, numa acentuação das capacidades de reação ou de resistência de funções orgânicas com as quais o indivíduo não mais se satisfaz” (Le Breton, 2003:61).

Não faltam referências em obras de ficção científica, na linha das anti-utopias ou críticas a um possível estado totalitário – do Admirável mundo novo de Huxley ao mundo dos replicantes de Philip Dick –, ao uso de pílulas que controlam o humor das pessoas conforme o seu desejo. Cabe uma reflexão sobre a que distância estamos destas imagens, uma vez que o corpo hoje não passa de um rascunho a ser aprimorado (Le Breton, op.cit.) e a melancolia, a gordura corporal, o grau de (hiper-) atividade e a potência sexual, longe de serem um destino controlado pela biologia, são estados que se colocam cada vez mais à nossa escolha. A conexão entre a cultura, a forma como se encara o corpo e estados patológicos que, para utilizar uma expressão perigosa, parecem estar na moda é óbvia demais para ser desprezada e faz por merecer a atenção das ciências sociais. 


BIBLIOGRAFIA

AZIZE, Rogério Lopes. A “A química da qualidade de vida: um olhar antropológico sobre uso de medicamentos e saúde em classes médias urbanas brasileiras”. Dissertação de mestrado em Antropologia Social, UFSC, 2002.

DUARTE, Luiz Fernando Dias, LEAL, Ondina Fachel. Doença, sofrimento e perturbação: perspectivas etnográficas. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1998.

LE BRETON, David. Adeus ao corpo: antropologia e sociedade. Campinas, SP: Papirus, 2003.

Para um panorama da produção no Brasil das ciências sociais a respeito do binômio saúde/doença, além dos enfoques teóricos possíveis, especialmente no campo da Antropologia Social, ver a introdução de Luiz Fernando Dias Duarte à coletânea “Doença, sofrimento e perturbação: perspectivas etnográficas”, Rio de Janeiro: Fiocruz, 1998.

Rogério Lopes Azize é mestre em Antropologia Social e professor da Universidade Estadual de Santa Catarina.


domingo, 22 de janeiro de 2017

DA MATTA, Roberto. “O Ofício do Etnólogo. Ou Como Ter Anthropological Blues”.


DA MATTA, Roberto. “O Ofício do Etnólogo. Ou Como Ter Anthropological Blues”. IN: Edson Nunes   (org.), A Aventura Sociológica. 

A importância de analisar e observar as condições do povo estudado, mantendo uma abordagem geral do objeto da pesquisa, esses aspectos devem ser tomados como base para o inicio de qualquer pesquisa. Seguindo esses pressupostos Da Matta percebe que existe uma semelhança muito grande entre o trabalho etnográfico e os ritos de passagem.

Quando Van Gennep analisou os ritos de passagem percebeu a existência de três dimensões fundamentais, e com o trabalho etnográfico não foi diferente.
A primeira, teórico-intelectual, é uma fase de preparação, quando ainda não estabelecemos contato com o grupo objeto da investigação. Conhecemos esse objeto apenas pelo abstrato e pelo vivenciado pelos outros. Seria o treinamento do olhar do antropólogo, construindo o seu embasamento teórico.
A segunda fase, em sequência, é o período prático, que antecede a pesquisa. Este é o momento em que o pesquisador planeja a sua estada no campo, desde a própria manutenção até o desprendimento emocional que precisa alcançar para desempenhar o seu ofício, incluindo as questões burocráticas para a realização da pesquisa.
A terceira etapa é a pessoal ou existencial, da experiência concreta e imediata, que propicia a síntese entre a experiência e a teoria, entre a realidade e o livro. 
Nessa fase pode ser encontrado aquilo que Roberto da Matta denomina de  antropological blues, que seria o lado emocional da pesquisa  e toda subjetividade entorno dos agentes sociais, apresentando assim um aspecto interpretativo da pesquisa.O antropólogo surge como tradutor ou interprete de dada cultura e dessa forma a solidão, as dificuldades de se integrar ao seu objeto de estudo, a saudade de entes queridos, aspectos próprios das fragilidades humanas, começam a se revelar.
O artigo consegue problematizar sobre o oficio do etnólogo, na qual a liminaridade do estranhamento apresenta um dinamismo de não fazer parte daquela determinada cultura, porém o fato de está vivenciando essas práticas é necessário um esforço do antropologo em transformar o exótico em familiar e o familiar no exótico.

Entre as ciências do Homem, a Antropologia é aquela onde necessariamente se estabelece uma ponte entre dois universos de significação, de subjetividades. A antropologia tem se preocupado cada vez mais com o rigor objetivo da pesquisa de campo, enquanto são inegáveis o lado subjetivo desta e o caráter fenomenológico da disciplina.
Depositar no lado obscuro o que há de mais importante é um modo envergonhado de não assumir a face humana da disciplina, por medo de não sentir anthropological blues, por meio do qual se pretende incorporar, de modo mais sistemático, os aspectos interpretativos do oficio de etnólogo.





quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Antropologia Biológica


Antropologia Biológica

Antropologia biológica (também chamada de antropologia física) é o estudo da biologia humana dentro da evolução, com ênfase na interação entre a biologia e a cultura.

As origens da antropologia biológica ocorrem no século XIX, quando começou a existir um maior interesse por parte dos cientistas em relação à origem do homem. Dúvidas quanto a origem divina dos humanos, aliadas à descoberta de fósseis como os dos Neandertais foram fatos importantes que levantaram questões quanto à origem e antiguidade da espécie humana. O interesse em tais questões aumentou ainda mais com a publicação do livro “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, em 1859. Ainda no século XIX, a variação física observada em diferentes povos instigou os cientistas a descrever e buscar explicações sobre a diversidade biológica humana.

Atualmente, a antropologia biológica é composta de diversas subdisciplinas, como a paleoantropologia, a antropometria, a primatologia, a genética e a osteologia. Dependendo da subdisciplina, os estudos podem ser realizados em restos esqueletais humanos antigos, em povos viventes atuais, ou em ambos.

A paleoantropologia é o estudo da evolução humana através de fósseis de hominídeos. Deste modo, é possível identificar as espécies de hominídeos que existiram, estabelecer uma sequência cronológica destas espécies e testar hipóteses sobre suas adaptações e comportamentos.

A antropometria, que teria surgido do interesse dos cientistas do século XIX na variação física das diferentes populações humanas, utiliza medidas de partes do corpo humano. A osteometria é um caso particular, na qual se medem partes do esqueleto e a craniometria é outro caso, na qual as medidas de restringem apenas ao crânio. Através da antropometria, é possível verificar adaptações de certas populações ao clima (através de proporções distintas entre partes do corpo), por exemplo. Já a craniometria pode ajudar a elucidar as relações dos diferentes povos entre si, através de semelhanças cranianas.

O estudo de primatas não-humanos, ou seja, a primatologia, é um campo importante na antropologia biológica especialmente devido aos estudos comportamentais (socialidade, comunicação, cuidado parental, comportamento reprodutivo, etc.), que podem dar pistas preciosas sobre o comportamento dos humanos modernos e dos hominídeos fósseis. Ainda, o estudo do registro fóssil dos primatas possui implicações importantes para a evolução dos hominídeos e, portanto, para a nossa evolução.

O estudo do esqueleto, chamado de osteologia, é realizado tanto em esqueletos humanos relativamente recentes, quanto em fósseis. Por exemplo, através da osteologia, é possível estimar a estatura e os padrões de crescimento de populações passadas. A paleopatologia é uma subdisciplina da osteologia que investiga a incidência de traumas, doenças infecciosas e deficiências nutricionais que deixam alguma evidência nos ossos de seus portadores.

Finalmente, o estudo da genética é importante dentro da antropologia biológica, não apenas porque nos permite explicar como funciona o processo evolutivo, mas também porque é possível investigar as distâncias evolutivas entre as espécies de primatas atuais (incluindo humanos), por exemplo. Os estudos de genética populacional também têm sido usados para esclarecer a origem dos humanos modernos, assim como as relações das populações humanas entre si.

Antropologia Forense - O que é?


Antropologia Forense

É a área científica que estuda as ossadas. Resulta da aplicação de conhecimentos de Antropologia às questões de direito no que diz respeito à identificação de restos cadavéricos (necroidentificação).

Através dos ossos, podemos obter dados sobre o sexo, idade, estatura do falecido e pormenores da vida que a pessoa teve (hábitos alimentares, algumas doenças, lesões, etc.)

Os achados em escavações podem ter diversas origens: cadáveres abandonados numa fase avançada de decomposição, corpos desfigurados resultados de mutilações, ou, cadáveres que possam corresponder a indivíduos vítimas de desastres em massa (acidentes de aviação, naufrágios, catástrofes naturais, etc.). 

Todavia, este estudo só fica completo se se conseguirem recolher dados que em termos comparativos possam individualizar a pessoa pois só com os dados relativos ao sexo, idade, proporções corporais é praticamente impossível identificar o cadáver.

“Apesar de todos os humanos adultos terem os mesmos 206 ossos, não existem dois esqueletos iguais”.

Técnicas:O trabalho de um antropólogo começa no local do crime e estende-se até ao laboratório. Dividindo-se parcialmente em três etapas:

1º etapa - Arqueologia forense. É feita uma escavação minuciosa do local onde se encontra o corpo.

2º etapa - Antropologia social. Consiste na recolha de informações em redor da área do crime (entrevistas às pessoas da região, consulta em arquivos municipais, eclesiásticos e militares, etc.)

3º etapa - Investigação laboratorial. Há uma aplicação de técnicas como a osteologia humana (área que se debruça sobre o estudo dos ossos que compõe o esqueleto), paleopatologia (ramo da ciência que se dedica ao estudo das doenças do passado) e tafonomia (estudo sistemático da evolução de fósseis). Pode ainda ser feita uma reconstrução facial do cadáver e superposição fotográfica.

Em Portugal esta área não é muito usada pois não é frequente encontrarem-se ossadas, uma vez que no passado não ocorreram grandes catástrofes, nem se verificam muitos crimes onde os corpos são escondidos ao longo dos anos.

Objetivos da Antropologia Forense:

Determinação da identidade do indivíduo:
                                    
Origem dos restos. A determinação da espécie do cadáver constitui um passo fundamental. É o primeiro passo que um deve tomar quando se confronta com qualquer material que se assemelhe a tecido ósseo.

Características gerais de identificação

Ø A determinação do sexo baseia-se no estudo comparativo das ossadas encontradas com dados de tabelas sobre a morfologia dos ossos. As características morfológicas de certos ossos diferem consoante o do sexo. Os ossos que melhor permitem identificar se a ossada é feminina ou masculina são: o crânio, a pelve e o tórax. 

Ø Para se poder obter a idade da ossada, há um conjunto de regras que variam consoante se trata de um feto, de uma criança ou de um adulto. A partir da informação acerca da classe etária que a pessoa pertence, podemos saber a sua idade. As análises feitas são: ao comprimento dos ossos longos e a ossificação de alguns ossos (como as suturas cranianas).

Ø A altura é calculada através da medição do esqueleto (método anatómico), por fórmulas matemáticas ou pelo estudo dos ossos longos.

Ø A determinação da raça é um processo muito complicado e pouco fiável. Porém pode ser caracterizada através do ângulo facial, forma do crânio, Índices cefálicos e índices rádio- umerais. A partir desta análise podemos determinar se o indivíduo é do tipo racial caucásico, mongólico, negróide, indiano, australóide.

Características individualizantes. São os aspectos específicos que podem caracterizar o indivíduo com base em elementos fornecidos por pessoas conhecidas da vítima. Esta comparação pode ser feita com base em estudos radiográficos, comparação fotográfica (sobreposição de imagem em computador, pesquisando-se a existência de concordância entre as linhas e curvas da face com pontos do esqueleto) ou reconstrução da face (modelagem das partes moles sobre o crânio, ou através de desenhos).

Determinação da data da morte
                                     
É um processo extremamente complexo pois muitas vezes os corpos estão num estado muito avançado de decomposição, estando em muitos casos esqueletizados.

A decomposição de um corpo depende de fatores como a temperatura do solo e a sua acidez.

- Quando um corpo é deixado à superfície a actividade dos insetos vai ocorrer imediatamente.

- Duas semanas depois, o corpo estará parcialmente decomposto (com algumas cartilagens e articulações)

- Ao fim de oito meses, estará decomposto na sua totalidade.

Se um corpo for queimado leva entre um a dois anos até ficar totalmente decomposto
Se for deixado em solos arenosos podem mumificar ficando então conservado.

Quanto mais tempo sucede desde a morte, mais difícil se torna de determinar o momento da morte.

O número e o tipo de ossos disponíveis na cena do crime podem ajudar a determinar há quanto tempo se deu a morte do indivíduo, por exemplo: ossos pequenos dispersam-se mais facilmente.

Determinação do modo e determinação da causa da morte
                                       
O modo e a causa da morte são conceitos diferentes. O modo da morte aborda o tipo de morte do indivíduo podendo ser: homicídio, suicídio, acidental, natural e desconhecida. A causa da morte, refere-se ao fator que na prática provocou a morte do indivíduo, ou seja, descrições como doença, ferimentos ou lesões.

Em indivíduos que se encontram no estado de esqueleto, a causa da morte só pode ser estudada relativamente a situações que deixem marcas nestas estruturas como as fraturas, ferimentos por armas de fogo ou marcas de intoxicações crônicas pelo arsênio, sendo o raio-X uma técnica muito importante.

Interpretação das circunstâncias da morte

Esta interpretação é bastante difícil, complicada e as suas conclusões são escassas pois estão limitadas à análise da existência, ou não, de sinais de violência e da interpretação da vitalidade de certas lesões.


Fonte: CIÊNCIAS FORENSES

sexta-feira, 25 de março de 2016

Ulf Hannerz - Explorar a Cidade: Inqueritos em Relacao a uma Antropologia Urbana


A visao do Copperbelt


Elaborado por: Hélder Luís

Conceitos chaves: Copperbelt (é uma das 9 provinciais de Zâmbia, sua capital é a cidade de Ndola.) Rodes-Livingstone Institute, Escola de Chicago (privilegia o estudo etnográfico dos grandes centros urbanos), Estudos da Escola de Manchester na África entre os anos 1940-1950, também centrado na mudança social, mas do ponto de vista estrutural-funcionalista.

A partir do trabalho da escola de chicago cedo, nenhum outro único complexo localizado de etnografia urbana pode emparelhar os estudos que durante vários anos saíram de africa central. Este corpo de pesquisa era o produto do rhodes-livingstone instituto, transformou, com relação à realização de independência de zambia em 1964, no instituto para pesquisa social da universidade nova de Zâmbia.

Apesar da forte influência da Escola de Chicago, evidentemente reconhecesse-se que o campo da antropologia urbana é mais amplo em sua formação se o pensarmos, como mostra Hannerz (1980, p. 119-62) quanto aos estudos da Escola de Manchester na África entre os anos 1940-1950, também centrado no tema da mudança social, mas do ponto de vista estrutural-funcionalista, voltado a cidades
que vinham passando por um rápido crescimento, com membros de grupos tribais que também se tornavam operários de minas, com mudanças identitárias abordadas da óptica da “tribalização-destribalização” no contexto urbano (tendo como pano de fundo a polaridade clássica da antropologia entre sociedades tribais e não tribais ou modernas, distinta da polaridade rural-urbano que predominou na antropologia urbana ligada a Chicago), dentre seus desdobramentos na Inglaterra, pode-se mencionar os estudos de Cohen sobre etnicidade urbana (1980).

Rhodes-livingstone os antropólogos e a situação colonial, foi natural para concentrar aqui nos antropólogos do rhodes-livingstone instituto como ethnographers e teórico de urbanismo. Por via de conclusão podem ser somadas alguns palavras talvez, porém, em outra perspectiva para o trabalho deles/delas onde um componente era outro, mais severamente phrased, críticas do interesse deles/delas em tribalismo na cidade.

Mitchell em seu artigo de 1966, lista determinantes sob seis títulos: 1. densidade de povoamento, 2. a mobilidade, 3. a heterogeneidade étnica, 4. desproporção demográfica, 5. diferenciação económica, 6. administrativas e políticas limitações.

O estudo desses determinantes em si mesmos, michell proposto, pode ser a tarefa de outras disciplinas. o trabalho da antropologia social urbana foi examinar o comportamento dos indivíduos dentro da matriz criado por esses factores que, uma vez estabelecidas, poderia ser tomada como garantida.

O urbano em questão na antropologia: interfaces com a sociologia

Heitor Frúgoli Jr.

Apresenta noção de cultura urbana formulada pela Escola de Chicago, fruto de um conjunto amplo de pesquisas, que pode ser mencionada por três autores: Park (1987-1916), que concebeu a cidade como um campo de investigações da vida social, influenciando várias pesquisas da época (Becker, 1996), bem como, numa segunda etapa, os contrapontos entre os estudos de Wirth (1987-1938), que culminaram no conceito de urbanismo enquanto modo de vida – com base em variáveis como tamanho, densidade e heterogeneidade e de Redfield (1930 e 1947), assentados em pequenas localidades – que originou os “estudos de comunidade” –, cujo desenvolvimento levaria presumidamente a processos de urbanização, sintetizados no conceito de continuum folk-urbano (Hannerz, 1980). Tal noção era inspirada em autores clássicos da sociologia da passagem do século XIX para o XX, como Durkheim, Weber, Tönnies e Simmel, todos voltados, por caminhos distintos, à compreensão das especificidades das sociedades modernas.