quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O Simbólico em Ernest Cassirer e Gilbert Durand

Trabalho em grupo, feito na disciplina de Antropologia do Simbólico em 2015.

Neste breve trabalho pretendemos fazer uma discussão dos textos de Ernest Cassirer, e Gilbert Durand. Nele temos como objectivo produzir uma síntese das introduções das obras dos autores acima referenciados de forma simples e reflexiva. Relativamente a estrutura do trabalho apresentaremos os objectivos das obras dos autores numa primeira fase, de seguida iremos mostrar os argumentos deles e por último teremos a conclusão.

O nosso objectivo é apresentar o simbólico em Cassirer, destacando como parte constitutiva de todas as disciplinas humanas, ressaltando, assim, a sua abordagem que é essencialmente de carácter gnosiológico, sendo que os símbolos são vistos como uma forma efectiva para o conhecimento, e se relacionam à experiência externa. 

Durand na sua obra intitulada a imaginação simbólica tem como objectivo mostrar os conceitos chaves do simbólico e explica-los como elas operam e articulam com o mundo imaginário, numa outra fase o autor vem responder a desvalorização do símbolo ou simbólico pelo ocidente mostrando as suas relevância.

Durand (1964) começa por esclarecer que sempre houve uma confusão e desvalorização na utilização dos termos relativos ao imaginário por parte da civilização ocidental, nesse caso o autor fala de imagem. Signo, alegoria, símbolo, emblema, parábola, mito, figura, ícone e ídolo. Para o autor a consciência é uma das formas pela qual o ser uma faz uma representação do mundo, e ela pode ser operacionalizada de duas maneiras que são: direita e indirecta, nesta ordem de ideia na consciência direita a representação é mais afectiva, isto é; sentimos no espírito a carne e osso o objecto ou a figura imaginada simbolicamente, enquanto na indirecta a representação vem através do imaginário, o objecto é imaginariamente representada na nossa consciência.

O autor define símbolo como uma pertença a categoria do signo. Os signos é concebida como uma teoria de economizar operações metais, isto é, os signos remetem a um significado que pode estar presente ou ser verificado, dai que em vez de explicar teoricamente o significado de um objecto, uma palavra, o conceito, é mais económico sinalizar ou atribuir um signo, o autor mostra vários exemplos de siglas que representam um objecto (Durand, 1964:8).

Em teoria distinguem-se dois tipos de signos, os signos arbitrários que são puramente indicativos e remetem a uma realidade significada a apresentável, e os signos alegóricos que remetem a uma realidade dificilmente apresentável, e elas são obrigados a figurar concretamente uma parte da realidade que significam. 

O símbolo é definido pela Lalande citado por autor como qualquer signo concreto que evoca, através de uma relação natural, algo de ausente ou impossível de perceber, e na mesma linha Jung citado pelo autor define-a também como a melhor figura possível de uma coisa relativamente desconhecida que não conseguimos designar inicialmente de uma maneira mais clara e mais característica (Durand, 1964:9-10). 

Godet citado por Durand, define e esclarece bem a diferença entre símbolo e alegoria, nesta linha de pensamento, o símbolo é o inverso da alegoria, ela parte duma figura para chegar a uma ideia abstracta, ela em si já é uma figura, um signo, uma letra, um desenho etc., enquanto alegoria é um vazio, que parte-se de uma ideia abstracta para algo concreto, neste caso pode ser uma figura, um objecto etc. A imagem simbólica é a transfiguração de uma representação concreta através de um sentido para sempre abstracto, e o símbolo na óptica do autor é uma representação que faz aparecer um sentido secreto, é a epifania de um mistério (Durand. 1964:10).

Durand citando Ricoeur diz que qualquer que seja um símbolo autêntico, ela possui três dimensões concretas que são; cósmico, onírica e poética. A primeira tem raiz figuração do mundo que nos rodeia, a segunda tem raiz na lembrança, nos gestos que surgem dos nossos sonhos, e a ultima tem raiz na linguagem e esta linguagem é mais concreta (Durand, 1964:12).

O símbolo tem uma outra componente que parte do invisível para indizível, e faz dele um mundo de representações indirectas de signos alegóricos. Num signo o significado é limitado e o significante mesmo ainda que seja arbitrário é infinito, enquanto a alegoria traduz um significado finito por um significante não menos delimitado. Dai a razão de o signo simbólico tem vários sentidos, por exemplo o termo fogo desdobra-se em múltiplos significados.

Segundo Cassirer os símbolos numa perspectiva antropológica apresentam-se carregados das dimensões sagrados. Pois, na óptica de Cassirer nem tudo que nos representamos apresenta a categoria dos símbolos para que as coisas sejam consideradas símbolos devem estabelecer a noção do sagrado que é a vertente que não si destaca, por exemplo: o hino e a bandeira nacional de um pais são sagrados porque nos temos a consciência da significação que elas representam, sentimento e nos identificamos com eles. E Edgar Morim nos sugere nos que temos um espirito de matripatriotismo afecto e virtude por isso nos identificamos. Segundo Paul Ricoeur citado por Durand os símbolos apresentam carregados das dimensões cósmicas, onírica e poética, porque nas dimensões cósmicas é onde encontramos a visão sobre o mundo dentro do nosso contexto, isto é onde damos o símbolo um valor muito importante dentro do nosso contexto, na dimensão onírica é onde encontramos na recordação nos gestos que emergem nos nossos sonhos e dimensão poética é onde o símbolo apela igualmente a linguagem, isto é, a partir de linguagem que categorizamos as coisas e é mediadora permitindo partilhar ideias e coisas de forma que sejam compreendidas por todos nos.

O símbolo surge como estruturação das relações do homem com o mundo. O problema é saber como se origina a estruturação simbólica. O simbólico, dentro da filosofia, está resignado a um grande conflito de interpretações, essas interpretações são chamadas de Hermenêuticas Redutoras e Hermenêuticas Instauradoras. 

As hermenêuticas redutoras pretendem explicar, exaustivamente, o símbolo, partindo de uma disciplina exterior; para explicá-lo é preciso destruí-lo. Já as hermenêuticas instauradoras partem de uma eventual explicação, deixam subsistir a dimensão e o traço do mistério que se desprendem da realidade simbólica. Entre as hermenêuticas redutoras, podemos citar a de Gilbert Durand e a instauradora salientamos Cassirer como um representante neokantinano que estrutura uma noção de símbolo como uma função que ultrapassa as ciências naturais, aplicando-se a todas actividades humanas. O homem, segundo Cassirer, distingue-se dos outros animais pela sua atitude simbólica, na qual o objecto é designado através do símbolo e a criação do símbolo origina o mundo da cultura. 

O simbolismo que Mircea Eliade e Paul Ricoeur apresentam está, também, instalado nas hermenêuticas instauradoras, pois, para eles, o símbolo tem um sentido espiritual e corresponde a uma experiência particular, de uma qualidade original e irredutível, que é o Sagrado. Não existe, então, pensamento simbólico sem a categoria do entendimento ou a consciência do Sagrado (Moura, 2000:77).

Cassirer na sua abordagem apresenta aquilo que seria a diferença entre os símbolos e sinais que pertencem a dois universos diferentes de discursos, E os símbolos não podem ser reduzidos a meros sinais. Reflectindo sobre a importância da existência do símbolo, sentimos necessidade de distingui-lo, sendo que o sinal faz parte do mundo físico do ser e a relação dos sinais com a realidade, o que ele significa, é meramente artificial ou convencional. Segundo Cassirer, os sinais são operadores e os símbolos são designadores. 

Os símbolos são contrários aos sinais, em que eles são sempre parte do mundo físico do ser. Os símbolos pertencem ao mundo de significados; logo, todas as relações simbólicas são relações significativas; enquanto que os sinais, são abreviações fixas e convencionais para algo conhecido. Já um símbolo, conforme Cassirer, está nele a melhor forma de formulação possível, para algo que não é conhecido, e que, por esta razão, não pode ser claramente representada. Desta forma, Cassirer nos apresenta os símbolos como o campo intermediário entre o espírito e a matéria (Moura, 2000:77-78).

Contudo, neste pequeno trabalho mostramos de forma clara e simples as diferentes abordagens patentes nas introduções das obras dos autores acima referenciados, neles encontramos pontos de intersecções na medida em que eles digladiam sobre o conhecimento antropológico, e a questão das cosmologias, representações e interpretações. 

Durand trás os conceitos chave do simbólico e mostra como elas são operacionalizadas, passando pela desvalorização ocidental dos símbolos, signos, significantes etc. Cassirer faz uma descrição exaustiva daquilo que é as diferenças entre os símbolos e sinais onde apresenta duas maneiras de interpretações do mundo chamadas de Hermenêuticas Redutoras e Hermenêuticas Instauradoras. 
 
Referência Bibliográfica 
DURAND, Gilbert. 1964. A imaginação simbólica. Lisboa, edições 70. 
MOURA, Marinaide Ramos. 2000. O simbólico em cassirer. Ideação, Feira de Santana, n. 5, p.75-85.

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