domingo, 17 de setembro de 2017

Discussão dos textos de Marc Auge (1974), Sperber (1992) e Durant (1964)


Trabalho elaborado pelo estudantes do curso de licenciatura em Antropologia da Universidade Eduardo Mondlane (Moçambique) na disciplina de Antropologia do Simbólico.

Introdução

Neste breve trabalho pretendemos fazer uma discussão dos textos de Marc Auge (1974), Sperber (1992) e Durant (1964). Nele temos como objectivo produzir uma síntese das introduções das obras dos autores acima referenciados de forma simples e reflexiva. Relativamente a estrutura do trabalho apresentaremos os objectivos das obras dos autores numa primeira fase, de seguida irei mostrar os argumentos deles e por último teremos a conclusão.

A obra de Auge (1964) tem como objectivo mostrar as formas como construímos o Mundo a partir das nossas crenças e do sistema da feitiçaria como a explicação do mundo real e não como o reflexo deste interpreta-o, numa outra vertente o autor procura mostrar a forca motriz da ideologia em todas as esferas da vida social, enquanto Sperber (1992) trás como objectivo as discussões em torno das crenças, cosmologia e faz uma profunda crítica a antropologia a maneira como ela produz e interpreta os seus factos etnográficos e Durant (1964) tem como objectivo mostrar os conceitos chaves do simbólico e explica como elas operam e articulam com o mundo imaginário, numa outra fase o autor vem responder a desvalorização do símbolo ou simbólico pelo ocidente mostrando as suas relevância.

Auge (1964) sistematiza a questão de como nós construímos o mundo, partindo dos nossos pressupostos com a própria realidade. Mas para compreendermos essa questão, ele parte dum ponto muito pertinente no texto, onde vai embaraçar, também a questão da feitiçaria, como sendo um domínio na sociedade. Entretanto, segundo o autor feitiçaria é um conjunto de crenças estruturadas e partilhada por uma dada população acerca da origem da infelicidade, da doença ou da morte. Por outras palavras, é um conjunto das práticas de detecção, de terapia e de sanções que correspondem a estas crenças. 

Neste contexto, as crenças na feitiçaria fazem parte daquilo a que o autor designou " ideo-lógica ", como um elemento essencial para o funcionamento da ideologia. Sendo assim, as crenças na feitiçaria entram nesta configuração de conjunto, por outro lado, refere-se explicitamente às representações da pessoa e do sistema social ou, porque completam estas representações especificando a natureza dos poderes ofensivos e defensivos.
Porém, a feitiçaria é uma imagem na qual não conseguimos ver com os nossos próprios olhos. Por outras palavras, é uma imaginação que nós temos sobre uma determinada realidade, uma ideia que construímos para a própria realidade e é intangível. Portanto, a ideologia esta ligado a este campo da magia, em que o poder e a politica também encontram-se nesse plano.
Para Auge o simbólico esta interligado em todas as esferas da vida social e cultural, dai que o poder político tem componente simbólico nas sociedades como Tallense e Ashanti entre outras na África. Nesta ordem de ideia os homens com tsav desempenham o papel de chefe nessas sociedades tanto no sistema pré-colonial e no sistema inglês.

Sperber (1992) começa questionar-se o conceito da antropologia e depois relata a cosmologia de Protágoras da construção do mundo e dos seres nele existentes, depois o autor avança com a discussão do surgimento da antropologia e nesse sentido o autor afirma que surge em primeiro a antropologia filosófica que da origem a antropologia e a psicologia consideradas com disciplinas empíricas por causa das suas aplicações, dum lado estava a psicologia experimental e doutro lado a antropologia física e cultural mas com o fundamento espiritista no trabalho de campo. Para o autor a antropologia preocupa-se com os homens e o que eles são, enquanto a psicologia estuda as capacidades metais humanas atraves das suas manifestações individuais, dai que com o conceito da antropologia cultural Wundt fundador da psicologia experimental diz que antropologia e sociologia dedica-se dos mesmo objectos de estudos com mesma finalidades existindo assim uma ligação tão profunda entre elas, mas as duas disciplinas afastaram-se uma da outra por causa dos seus pressupostos da ordem teórica e metodológica.

Para o autor a ideia do trabalho de campo na antropologia não remota a Malinowski, ela já tinha se consolidado antes da coincidente passagem de Malinowski a Austrália, nesse sentido afirma o autor que os primeiros antropólogos fizeram tão bem o trabalho de campo, participaram na vida do nativo, conviveram com eles, aprenderam a língua local assim como Malinowski, mas este trás uma inovação na forma como antropologia devia produzir seu conhecimento, nesse sentido afirma o autor a questão da delimitação do campo no espaço e tempo, e o tempo de permanência no campo. Sperber levantas muitas criticas a Malinowski, onde o autor diz que, a metodologia de Malinowski pressupõe estudar as sociedades dentro de um contexto bem delimitado implicando ignorar os aspecto externos que fazem as sociedades interligarem-se umas as outras, na mesma linha de pensamento as sociedades humanas sapo concebidas como homogéneos se estudadas sobres aspectos internos. Umas das fundamentais ponto da critica de Sperber esta no discurso que o antropólogo toma na sua literatura após de muito tempo conviver com os nativos, nesse sentido afirma o autor que as vezes torna-se uma confusão para perceber de quem é o discurso ou seja, quem que esta a falar se é o etnógrafo ou o nativo.

Durant (1964) começa por esclarecer que sempre houve uma confusão e desvalorização na utilização dos termos relativos ao imaginário por parte da civilização ocidental, nesse caso o autor fala de imagem. Signo, alegoria, símbolo, emblema, parábola, mito, figura, ícone e ídolo. Para o autor a consciência é uma das formas pela qual o ser uma faz uma representação do mundo, e ela pode ser operacionalizada de duas maneiras que são: direita e indirecta, nesta ordem de ideia na consciência direita a representação é mais afectiva, isto é; sentimos no espírito a carne e osso o objecto ou a figura imaginada simbolicamente, enquanto na indirecta a representação vem atraves do imaginário, o objecto é imaginariamente representada na nossa consciência.

O autor define símbolo como uma pertença a categoria do signo. Os signos é concebida como uma teoria de economizar operações metais, isto é, os signos remetem a um significado que pode estar presente ou ser verificado, dai que em vez de explicar teoricamente o significado de um objecto, uma palavra, o conceito, é mais económico sinalizar ou atribuir um signo, o autor mostra vários exemplos de siglas que representam um objecto etc.,.

Em teoria distinguem-se dois tipos de signos, os signos arbitrários que são puramente indicativos e remetem a uma realidade significada a apresentável, e os signos alegóricos que remetem a uma realidade dificilmente apresentável, e elas são obrigados a figurar concretamente uma parte da realidade que significam. O símbolo é definido pela Lalande citado por autor como qualquer signo concreto que evoca, atraves de uma relação natural, algo de ausente ou impossível de perceber, e na mesma linha Jung citado pelo autor define-a também como a melhor figura possível de uma coisa relativamente desconhecida que não conseguimos designar inicialmente de uma maneira mais clara e mais característica.

Godet citado por Durant, define e esclarece bem a diferença entre símbolo e alegoria, nesta linha de pensamento, o símbolo é o inverso da alegoria, ela parte duma figura para chegar a uma ideia abstracta, ela em si já é uma figura, um signo, uma letra, um desenho etc., enquanto alegoria é um vazio, que parte-se de uma ideia abstracta para algo concreto, neste caso pode ser uma figura, um objecto etc. A imagem simbólica é a transfiguração de uma representação concreta atraves de um sentido para sempre abstracto, e o símbolo na óptica do autor é uma representação que faz aparecer um sentido secreto, é a epifania de um mistério.

O autor citando Ricour diz que qualquer que seja um símbolo autêntico, ela possui três dimensões concretas que são; cósmico, onírica e poética. A primeira tem raiz figuração do mundo que nos rodeia, a segunda tem raiz na lembrança, nos gestos que surgem dos nossos sonhos, e a ultima tem raiz na linguagem e esta linguagem é mais concreta.

O símbolo tem uma outra componente que parte do invisível para indizível, e faz dele um mundo de representações indirectas de signos alegóricos. Num signo o significado é limitado e o significante mesmo ainda que seja arbitrário é infinito, enquanto a alegoria traduz um significado finito por um significante não menos delimitado. Dai a razão de o signo simbólico tem vários sentidos, por exemplo o termo fogo desdobra-se em múltiplos significados.

Contudo, neste pequeno trabalho mostramos de forma clara e simples as diferentes abordagens patentes nas introduções das obras dos autores acima referenciados, neles encontramos pontos de intersecções na medida em que eles digladiam sobre o conhecimento antropológico, e a questão das cosmologias, representações e interpretações. Auge faz uma descrição das cosmologia e ideologia, chegando até a puxar a demissão do politico em África para mostrar que o simbólico tem configuração no politico em algumas sociedades, enquanto Sperber faz um breve historia do surgimento da antropologia após de ter passado pela cosmologia de Protágoras numa primeira fase, faz uma critica ao Malinowski e a própria antropologia chegando a chamar o debate da compreensão da comunidades estuda, o discurso que antropologia tem na questão das interpretações para chamar o relativismo em discussão e Durant trás os conceitos chave do simbólico e mostra como elas são operacionalizada, passando pela desvalorização ocidental dos símbolos, signos, significantes, etc.

Referência bibliográfica

AUGÉ, Marc (1974) A Construção do Mundo, Lisboa, Edições 70.
DURANT, G. 1964. A imaginação simbólica. Lisboa, edições 70
SPERBER, D. 1992. O saber dos antropólogos. Lisboa: Edições 70.

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